Os vinhos de Colares: contra a fĂșria do mar.
- Eduardo Angel
- 3 de ago. de 2023
- 3 min de leitura
As condiçÔes climĂĄticas de Colares, tĂŁo perto do mar onde os nevoeiros e a fĂșria dos ventos marĂtimos carregados de partĂculas corrosivas de sal e um dos mais baixos Ăndices de insolação estival, tornam a vida difĂcil Ă s vinhas.

Este é o cenårio que forçou o desenvolvimento de uma técnica de cultivo, para obcecadamente lutar contra os elementos, que se foram aperfeiçoando ao longo dos séculos.

Trata-se de uma plantação trabalhosa com a abertura de uma cova que pode ir aos sete metros de profundidade, atravessando a camada de areia atĂ© atingir a de argila, onde se introduz o bacelo. Ao longo de mais ou menos 3 a 4 anos, Ă medida que a nova videira cresce, a areia vai sendo reposta na cova atĂ© a planta atingir a superfĂcie do terreno. AĂ, videira Ă© conduzida na horizontal rente ao chĂŁo de forma a ficar preservada dos ventos nas pequenas parcelas de terra delimitadas por paliçadas de canas secas.
As vinhas mais antigas, de ramos rasteiros alongados perto do chão e sem qualquer tipo de condução que mais parece um polvo do que uma vinha, podem ter mais de 140 anos, e ainda produtivas. Na fase de maturação das uvas, as varas são levantadas da areia cerca de meio metro com a ajuda de canas para que os cachos não fiquem em contato com a areia quente no Verão, que os queimaria.

Pela sua natureza geolĂłgica, Colares divide-se em duas sub-zonas correspondentes a dois tipos de solos diferentes: âchĂŁo de areiaâ (ĂĄrea das dunas) perto do mar e âchĂŁo rijoâ (solos argilo-calcĂĄrios) localizados na zona mais interior da regiĂŁo.
Os vinhos DOC Colares devem provir dos solos âchĂŁo de areiaâ e serem elaborados a partir de duas castas, a Malvasia de Colares nos brancos e Ramisco nos tintos, ambas atĂ© um mĂnimo de 80%. Castas que atĂ© hĂĄ muito pouco tempo inexistentes em mais nenhuma regiĂŁo vinĂcola do paĂs.
No entanto, para DOC Colares, Ă© possĂvel incorporar atĂ© um mĂĄximo de 10% de uvas ou mostos provenientes de vinhas instaladas em âchĂŁo rijoâ. Nestas vinhas as castas CastelĂŁo e Malvasia tĂȘm de ter uma representação mĂnima de 80%.
Os vinhos branco e tinto de Colares sĂŁo reconhecidos por sua personalidade Ășnica, mas requerem um pouco de paciĂȘncia para atingir sua plenitude. Na juventude, podem apresentar uma certa "dureza" e "aspereza", que sĂł o tempo de envelhecimento pode suavizar e aprimorar.
De acordo com as normas da DOC de Colares, o vinho branco deve passar por um envelhecimento obrigatĂłrio de 6 meses em madeira e mais 3 meses em garrafa, enquanto o vinho tinto requer um mĂnimo de 18 meses de estĂĄgio, sendo pelo menos 6 meses em garrafa.

Essa maturação cuidadosa e atenciosa é essencial para desenvolver a complexidade aromåtica e os sabores requintados que tornam os vinhos de Colares verdadeiramente excepcionais. Portanto, aqueles que apreciam a riqueza e elegùncia desses vinhos encontrarão sua recompensa ao aguardar pacientemente o tempo necessårio para que eles alcancem sua plena expressão.
Os vinhos de Colares sĂŁo verdadeiramente Ășnicos e oferecem uma experiĂȘncia enolĂłgica que encanta os verdadeiros apreciadores. Com uma histĂłria e cultura ricas, a regiĂŁo de Colares traz consigo tradiçÔes antigas e tĂ©cnicas de viticultura que datam de sĂ©culos atrĂĄs. Essa herança cultural reflete-se nos vinhos, que exalam autenticidade e carĂĄter. E felizmente se vĂȘ cada vez mais pessoas a reconhecer a qualidade e a singularidade dos vinhos de Colares.


